A última semana da pré-temporada celeste na Toca da Raposa II foi marcada por uma polêmica: insatisfeito com a condição de reserva da equipe de Cuca, o meia Roger reclamou da situação publicamente, deixando o treinador do Cruzeiro na bronca. Neste domingo, Gilberto, titular do meio-campo estrelado e responsável pela criação da equipe, ao lado de Montillo demonstrou também que não gostou nada da atitude do companheiro de elenco.
Depois da estreia vitoriosa e com goleada sobre a Caldense no Campeonato Mineiro, por 3 a 0, o experiente jogador falou sobre o episódio e ‘alfinetou’ o colega. “O Roger é um excelente jogador e tem condições de ser titular no Cruzeiro, mas isso é durante os treinamentos e jogos. Eu nunca vi em minha vida Ronaldinho Gaúcho, Pelé ou Zico reclamar. Todos são grandes jogadores e nunca pediram titularidade. Acho que o grande jogador e de caráter se faz no dia a dia. Não me incomodo de sair. Se for opção do treinador vou buscar minha titularidade”, destacou em sua entrevista, logo após a partida.
Para Gilberto, Roger expôs o clube, o elenco e o treinador de uma forma desnecessária. “Acho que quando passa isso para fora você acaba criando uma situação desagradável com o treinador, jogador, grupo e direção. Então entendo que se tudo tivesse sido resolvido internamente talvez hoje a torcida não tivesse gritado o nome do Roger e não tivesse chiado, pois eu não estava tão bem no primeiro tempo. Como foi passado para fora, pela própria boca do jogador, é lógico que se eu estivesse jogando muito mal a torcida iria gritar o nome do Roger. Por isso é que, às vezes, a gente fica chateado. Eu, com 35 anos, acho que não precisaria disso. Talvez, se ele tivesse chegado para mim e falasse que foi o único jogador no ano passado que não tivesse jogando, eu pediria ao Cuca para sair como já o fiz”.
Quem manda é Cuca
Gilberto também deixou claro que sabe que o comando na Toca da Raposa II é de Cuca e que todos têm que respeitar as opções do técnico. ”É uma coisa que não precisava ser passada (para fora) e falei ao Cuca que o Roger quer jogar, mas o treinador entende que a melhor opção sou eu jogar ao lado do Montillo. Então, tanto eu quanto o Roger temos que respeitar isso”.
Com passagens por diversos clubes e pela Seleção Brasileira, Gilberto avisou que o futebol não é lugar de oba-oba e que as coisas costumam se resolver dentro de campo. ”Procuro fazer aquilo que é melhor para mim dentro de campo, nos treinamentos com meus companheiros, acho que isso é importante. O Cruzeiro tem que ser assim, sem confusão e sem oba-oba fora de campo”.
Questionado sobre uma possível saída de Roger do Cruzeiro, Gilberto disse que vai continuar fazendo seu trabalho e que a decisão cabe apenas ao colega de elenco. “Tenho minha consciência tranquila. Se ele acha que não deve ficar é um problema dele. Vou continuar fazendo o que sempre fiz em meus 35 anos e não vou mudar. Se tiver de sair e ficar no banco vou respeitar a decisão do treinador. Vou procurar incentivar o companheiro que estiver dentro de campo, mesmo que fique sem jogar. Acho que assim o Cruzeiro vai crescendo e o importante é que tenho a cabeça tranquila e vou continuar fazendo meu trabalho como sempre fiz”, reiterou.
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